terça-feira, 2 de junho de 2009

Em terra de cego, quem tem olho é rei

A propósito da despedida de Figo dos relvados, gerou-se nas caixas de comentários aqui da chafarica e noutros pontos da blogosfera pequenas discussões sobre quem terá sido o melhor jogador português de sempre. Fernandos Aguiares à parte a coisa divide-se entre o referido Figo, o Cristiano Ronaldo (jogadores que todos tivemos oportunidade de ver jogar) e o Eusébio, que a grande maioria de nós só viu em resumos, quando o mundo era a preto e branco.

Acho que a comparação não tem grande cabimento, na medida em que Figo e Cristiano Ronaldo foram os melhores do mundo numa época em que o futebol é uma actividade altamente profissionalizada, onde todos têm acesso a técnicas de treino, conhecimentos tácticos e suportes fisiológicos extremamente evoluídos, enquanto que Eusébio jogava na maioria dos casos contra amadores.

Se querer colocar em causa o valor do Eusébio, que estou certo que era bastante, pode alguém no seu perfeito juízo afirmar que o melhor jogador português de todos os tempos era alguém de uma época em que se jogavam 30 jogos por temporada, quando hoje um jogador de top realiza para cima de 50 partidas? Querem comparar a dificuldade de manter a regularidade hoje num mundo altamente globalizado em que cada jogo é transmitido em tempo real por dezenas de câmaras para o planeta inteiro, com o futebol da há 30 anos, em que os que não vissem ao vivo, ouviam por intreposta pessoa ou liam no dia seguinte sobre o que se tinha passado?

É claro que fica bem ao Benfica ter um ídolo de há não sei quantos anos atrás, que sim, foi importante e era claramente um jogador acima da média (que era bem baixinha, por sinal) e que foi fundamental nos triunfos que o clube conquistou. E por isso é natural que o clube lhe reconheça isso e que lhe permita, enquanto se vai conservando nos puros maltes, que se vá passeando por esse mundo fora, tranzendo um pouco de alegria aos Benfiquistas, que poucas alegrias vão tendo com o seu clube, além da oportunidade de conhecer o "king".

E antes que venham com a conversa do costume (até porque não há outra) de que é tudo inveja só por causa da história de que o gajo vinha para o Sporting e o Benfica foi mais astuto, a verdade é que já ouvi mais versões dessa história do que o whiskys o pantera negra é capaz de beber numa visita à casa do Benfica de São João da Talha, que ninguém nunca poderá dizer com exactidão o que se passou. Por isso e porque de entre os intervenientes na história, dificilmente haveria algum que soubesse escrever para a guardar para a posteridade.

13 comentários:

Bengas disse...

Amen!

Ricardo disse...

Nada a ver, Repórter. Jogadores com Eusébio, Di Stefano, Best, Charlton, Pelé, Garrincha, Puskas, Coluna, etc, etc, etc, seriam sempre jogadores fabulosos, fosse em que época fosse. Querer falar em amadores é ir pela via do desconhecimento total e da ignorância.

E isto pelas razões que tu próprio evocas. Se o Eusébio jogasse hoje, teria tido um acompanhamento a nível clínico muito superior ao que teve na sua época, em que se faziam coisas como infiltrações antes dos jogos. O homem jogou quase toda a carreira semi-lesionado! Hoje em dia, teria tido um acompanhamento de nível e isso faria dele ainda mais super-jogador.

Não desvalorizes o que foram esses jogadores. O futebol é futebol. Nos anos 60 e em 2010. E os grandes sê-lo-ão sempre. Assim como os 5 violinos revolucionaram o futebol em Portugal na década de 50. E hoje em dia seriam grandes jogadores à mesma.

Não venham com as tácticas do pirilau que hoje se usam, as tecnologias do Asimov em cápsulas supersónicas e os "suportes fisiológicos extremamente evoluídos" (isto é o quê? alguma tala moderna para meter na pichota?). Futebol é futebol.

matrafisco disse...

eu ainda joguei com uma bola de cautchu...

cada vez que me lembro, fico a pensar como é que alguém metia a cabeça naquilo.

o ronaldo se fizesse a jogada tipica com uma bola daquelas partia uma perna...

o figo se tentasse rematar não saberia onde ela iria parar...

low desert puke disse...

Compreendo a ideia do H sobre o "jogar contra amadores", no tempo do Eusèbio. Mas a tua teoria cai por terra com os inumeros exemplos em que o Benfica jogava contra as melhores equipas e os melhores jogadores da Europa, na altura, e ainda assim ganhava muitas vezes (houve periodos em que se pode usar a palavra "sempre"), dominava e espalhava bom futebol, atravès de vitòrias e trofèus em muitos dos estàdios miticos da història do futebol em Inglaterra, Espanha, Italia...

E se nem assim ficas convencido, analisa o percurso qualitativo da Selecçao Nacional antes, durante e depois de Eusèbio, (sem contar com os anos 90 e todas estas ultimas geraçoes de jogadores). Tambèm ali, contra Brasil, Russia, Inglaterra, etc - somente as selecçoes mais fortes mundialmente desse periodo. Nao ganhàmos nenhum trofèu, mas estivemos ali a morder os calcanhares a todos eles. Porque? Elementar, meu caro H, porque tinhamos o Eusèbio là na frente.

Ultima nota para o facto de o Eusèbio ter sido fundamental, como disseste tu, em tudo aquilo que descrevi, è um facto. Mas a primeira Taça dos Campeoes Europeus que ganhàmos nao foi com ele. E nao a ganhàmos contra amadores com um canto directo no fim do jogo.

Sabe tao bem poder começar uma frase com "A primeira Taça dos Campeoes Europeus que ganhàmos..." Reafirmo, a primeira. Sabes o que quer dizer nao sabes? Que a seguir ainda ganhàmos outra e que ainda tivemos oportunidade de ganhar quase uma mao cheia mais.

Voces nunca compreenderao o que isso è. Nem daqui a mil anos.

Fuinha da Bola disse...

Low desert puke. Vai ver o jogo da selecção contra o Brasil no Mundial de Inglaterra e volta a escrever o que escreveste.

Quanto ao não sei quê da Taça dos Campeões Europeus:tu também não. Não eras nascido e infelizmente tens que sonhar com isso e com o Eusébio como o poeta e joemorales,etc. O que tu compreendes bem, como nós, é a realidade que temos vivido. O Benfica a ser constantemente encavado. E daqui a mil anos também não vais estar cá. Quem sabe o Benfica nessa altura até volta a ganhar um campeonato.

low desert puke disse...

Reduzes e comprimes as coisas o mais que podes para poderes demonstrar o quanto ressabiado és.

Entao toda a carreira de Portugal na época do Eusébio (e do pròprio Eusébio) resume-se ao jogo contra o Brasil, na tua opiniao. Està bem.

E o ter ganho a Taça dos Campeoes Europeus, repito, Taça dos Campeoes Europeus, por duas vezes è algo obrigatoriamente menor, simplesmente porque...eu nao estava là. Muito bem.



ès um falhanço humano, man.

low desert puke disse...

Para o caso de teres deixado os òculos na mesinha de cabeceira:







































T A ç A D O S C A M P E O E S E U R O P E U S

Repórter H disse...

analisa o percurso qualitativo da Selecçao Nacional antes, durante e depois de Eusèbio

Antes era uma merda, que nunca foi a lado nenhum.

Durante era uma merda que foi a um mundial (o king, apesar de tudo, só teve pernas para um evento).

Depois, mas ates do Figo era um merda, e foi a um Europeu.

Durante o Figo, era boa e só falhou um Mundial (em 98), graças à mestria do poeta Artur Jorge.

Depois do Figo, corremos o risco de ficar de fora outra vez. É que ele há coisa.

O resto dos disparates nem vale a pena responder.

Ricardo disse...

"Depois, mas ates do Figo era um merda, e foi a um Europeu."

Falso. Um eUROPEU e um Mundial.

Depois essa teoria de que por o Figo ter estado fomos a várias competições é de bradar aos céus. Esqueces completamente o contexto do futebol português, das gerações que apareceram, de todo o trabalho construído por Queiroz e Vingada para defender que o Figo, por ter existido, fez de Portugal uma equipa assídua nas grandes competições. O Rui Costa, o Couto, o Baía, o JVP, e todos os outros, não tiveram nada a ver com isso. Claro que não. Terem estado em clubes estrangeiros não tem nada a ver com isso. Claro que não.

E depois nós é que somos os facciosos. Por amor de Eusébio.

Repórter H disse...

Apenas analisei a prestação da selecção antes e depois do eusébio... Esqueci-me efectivamente do México 86, porque depois da merda que lá fomos fazer, com ameaças de greve e putas no hotel, já tinha recalcado.

low desert puke disse...

"O resto dos disparates nem vale a pena responder."

Dou-te razao, H.
De facto, ler o comentàrio do Fuinha sobre o facto que os benfiquistas mais jovens deviam entender a conquista da T A ç A D O S C A M P E O E S E U R O P E U S como uma coisa menor, sò porque nao a viveram na altura, è tao descabido que nem merece comentar.

Fuinha da Bola disse...

Se eu comecei a ir ao estádio com 12 anos, imagino que um Benfiquista que tenha visto o Benfica do princípio dos anos 60 seja um sexagenário. Mas os vídeos a preto-e-branco são engraçados. Assim como os livros sobre futebol e as estórias que se passam de geração em geração. Embora prefira, por exemplo, ver o Barcelona contemporâneo a jogar ou o Cristiano Ronaldo e a época que fez no ano passado, ou o Benfica como quarto clube de Portugal, compreendo que hajam muitos amantes de história e principalmente estórias do futebol.

low desert puke disse...

O Benfica como quarto clube de Portugal? Explica là essa à malta.

Pesquisa personalizada