domingo, 20 de março de 2011

Sportinguista até ao tutano

Inspirado por isto, isto, isto, isto e isto, decidi também eu partilhar convosco (como se isso vos interessasse muito) as histórias do meu passado sportinguista que atestam a minha qualidade de sócio eleitor de excelência.

Sou sportinguista por tradição familiar. Na minha família todos são sportinguistas, excepto o meu tio Amadeu que era do Belenenses e que por esse motivo foi deserdado e desterrado pelo meu avô para o Brasil, tendo-se aí tornado "torcedor" do Vasco da Gama, mas nem assim o pai o perdoou. Isto do lado do meu pai, que sendo uma família mais abastada, até o motorista, o caseiro e as empregadas eram do Sporting.

Do lado da minha mãe, gente mais humilde e que passou por dificuldades, mas nem por isso deixou de mostrar o seu sportinguismo em cada momento. Conta a minha avó, que o meu avô chegou a trocar senhas de racionamento por quotas do Sporting, para que todos lá em casa tivessem as quotas em dia e pudessem ir sempre às assembleias gerais. Como lá em casa o dinheiro era pouco e só dava para um ir à bola, iam à vez e quando chegavam a casa o serão era passado em volta da fogueira a ouvir a descrição do dia passado no estádio.

Mas o mais Sportinguista de todos era o meu pai. Desde tenra idade que nos levava a mim e aos meus irmãos a Alvalade a viver o clube, pelo que me lembro perfeitamente de irmos todos em romaria ao sábado de manhã para vermos o atletismo, depois o hóquei, depois os juniores, depois andebol, depois o ping-pong e por aí fora. O fim-de-semana, só acabava no domingo à noite depois de vermos o basket - de verão chegávamos a dormir no parque de estacionamento em frente à 10A, encostados ao Jipe do Cadete, para não perdermos pitada.

Lá em casa, a minha mãe, para nos adormecer não nos cantava canções de embalar, punha-nos ainda naquela altura em cassete, os relatos dos jogos mais fantásticos do Sporting a passar e adormecíamos todos ao ouvir o cantinho do Morais.

Éramos uma família tão sportinguista que até o cão, chamado Damas, era do Sporting. O bicho quando não ganhávamos ficava cabisbaixo e passava as noites a uivar e tínhamos por hábito ver os vídeos com os jogos do Sporting. Quantas vezes não chegava à escola e enquanto os outros putos falavam do episódio da Galática ou do sketch do fininho no 1,2,3, eu descrevia-lhes pela enésima vez um golo do Jordão ou do Manel Fernandes.

Na rua a jogar à bola, era sempre o Litos ou o Mário Jorge, menos quando ia à baliza, nessa altura gostava de ser o Katzirz ou o Sérgio e os meus irmãos eram o Virgilio (o mais velho) e o Morato (o mais novo).

Outra história engraçada foi quando conhecia a minha mulher. Ela trabalhava na altura para uma empresa que era cliente da empresa onde eu trabalhava. Estivemos numa reunião e quando fomos trocar os cartões de visita, tirámos por engano o cartão de sócio e verificámos que a soma dos algarismos dos dois números era igual; era muita coincidência para ser uma acaso e por isso cá estamos hoje ainda juntos.

14 comentários:

h1n1 disse...

parabéns!histórias de vidas fantasticas...
saudaçôes leo

MM disse...

Histórias que revelam e mostram o porquê do crescimento de um Sportinguista efectuar-se de um modo puro, superior (não elitista), diferente (melhor) e bondoso. Porque ser-se do Sporting é ser-se bom.

Essa história fez-me lembrar uma outra. Uma história curta e que foi um dos primeiros contactos com o degredo: tinha um colega na escola chamado André Alice - ora estávamos no 5º ano talvez, o que significava qualquer coisa como 9 anos de idade - e nessa altura já se sabe a semente clubística está já bem plantada no interior de qualquer jovem dessa idade. Esse meu colega era um grande benfiquista: sujeito normal, um bom colega, esperto, atento, sempre pronto a ajudar o vizinho da carteira do lado mas sobretudo, um rapaz com o coração no sítio certo. Ora, um dia o André Alice confessando o porquê de ser benfiquista explicou ao grupo de amigos que quando tinha 5 ou 6 anos de idade era costume o seu pai levá-lo ao campo do Benfica. Aos domingos de tarde, dizia ele. Altura em que o pai saia de casa cedo pela manhã e voltava pelas 14:00 alcoolizado, pronto a levar o André e os irmãos à Lixeira. A mãe do André, essa, era uma mulher muito doente. Tinha sifílis causada pelo marido, e passava os dias na cama, em constantes cuidados dos vizinhos já que a sua própria família não queria saber dela. Eram esses vizinhos - Sportinguistas - que lhe faziam o comer, davam um jeito à casa pelo menos 2 vezes por semana e até pagavam as roupas e os livros escolares do André e dos seus irmãos.

Era este o normal fim-de-semana do André.

Durante a semana como é evidente ele tinha a boa influência dos colegas da escola - a minha - e eu conseguia anular toda essa herança benfiquista que o puxava para o fundo do poço. Mas entretanto, mudei de escola, e nunca mais soube nada do André. Uns anos mais tarde em visita à antiga escola ouço pela voz da minha antiga Professora de Matemática e ao mesmo tempo directora de turma que o André havia tido um incidente: 4 anos depois - pelos seus 13 anos - e já 2 anos volvidos sobre o falecimento da mãe, esse meu amigo benfiquista havia sido agredido de forma horrorosa pelo pai e pelos amigos do Benfica do pai. Resultado: um sem-número de lesões cerebrais e derrames vários pelo corpo.

Derrames esses que conduziram o André à mesma cama que servira a sua mãe durante anos a fio. Os vizinhos ainda fizeram queixa mas as acusações nunca puderam ser provadas.

MM disse...

Comparem esta história com o relato que o Sportinguista faz no seu post, e desenham as vossas próprias conclusões.

pitons na boca disse...

hehehe

Excelente, Reporter. Particularmente a escolha dos "grandes nomes" do Sporting desse tempo, para ti e os teus irmãos.

Excelente. :)

Tim disse...

passei agora por um blogue que me parece ir dar muito que fala, o Polvo dos papalvos. É um jornalista que decidiu escrever sobre os bastidores. Vamos ver. Só espero que o homem não acabe a levar na tromba!!

Ricardo disse...

Excelente Repórter, belo texto!

Finalmente compreendemos a razão do trauma do Manuel Humberto. André Alice, nome dado a ambiguidades que desnortearam de forma indelével a infância do nosso escriba.

The Wall disse...

Mas mais importante sr reporter, quantas vezes está sentado no seu lugar? Só mentiras, falácias. O seu sportinguismo só revela uma coisa que todos nós queremos evitar: é fruto de uma continuidade doentia!

MM disse...

Ricardo,
E ainda bem - para ti - que deixei a história pela metade. Dá um abraço ao André, e diz ao teu irmão que apesar de tudo serei sempre seu amigo ...

low desert puke disse...

Simplesmente patético, além de mentiroso.

E peço desculpa aos patetas por inserir o MM na sua categoria, mas aos mentirosos nao.

Cunha Dias disse...

Ganda Reporter! Aposto que até cagas verde mesmo quando comes canja ou creme de cenoura.

PS: Desconfiem sempre das vossas professoras de matemática.

Contumil disse...

LOL

Anónimo disse...

Monte de Merda, deixa o bagaço pá. Sempre a vomitar verbalmente.

Lucifer disse...

Gostei do texto do Reporter, ve se que tem Paixao pelo seu clube, de forma saudavel. São estas pessoas que têm esta paixão, seja de que clube forem que levam e transmitem uma mistica.

Só foi pena depois ter surgido o comentario do MM, pessoa desiquilibrada e que devia estar internado, longe da sociedade civilizada, para não a conspurcar. é por pessoas como estas que sacos de pedras voam de viadutos e casas de clubes são vandalizadas. Essas pessoas não fazem cá falta nenhuma. Seja de que clube forem.

Cunha Dias disse...

O epitáfio natural daquela estória de fazer chorar as pedras da calçada é que o André Alice é o alter ego do MM.
Resta-nos aguardar pacientemente que a Natureza siga o seu curso natural e retorne ao pó esta infeliz criatura e que a sua alma atormentada seja finalmente livre dos grilhões da dor e do sofrimento.

Amén!

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